1. (FUVEST)
(...) Por que quatro ou cinco? Rigorosamente eram quatro os que falavam; mas, além deles, havia na sala um quinto personagem, calado, pensando, cochilando, cuja espórtula no debate não passava de um ou outro resmungo de aprovação. Esse homem tinha a mesma idade dos companheiros, entre quarenta e cinqüenta anos, era provinciano, capitalista, inteligente, não sem instrução, e, ao que parece, astuto e cáustico. Não discutia nunca; e defendia-se da abstenção com paradoxo, dizendo que a discussão é a forma polida do instinto batalhador, que jaz no homem, como uma herança bestial; e acrescentava que os serafins e os querubins não controvertiam nada, e, aliás, eram a perfeição espiritual e eterna. Como desse esta mesma resposta naquela noite, contestou-lha um dos presentes, e desafiou-o a demonstrar o que dizia, se era capaz. Jacobina(assim se chamava ele) refletiu um instante, e respondeu:
- Pensando bem, talvez o senhor tenha razão. (...)
(Machado de Assis. O espelho)
No trecho: “... e acrescentou que os serafins e os querubins não controvertiam nada, e, aliás, eram a perfeição espiritual e eterna”, o termo aliás introduz:
a) um esclarecimento, retificando a idéia defendida.
b) uma oposição entre as idéias defendidas.
c) uma contradição, negando a idéia defendida.
d) uma progressão semântica, alterando a idéia apresentada.
e) um argumento decisivo, reforçando a idéia apresentada.
LEIA O TEXTO ABAIXO, QUE FAZ PARTE DO CONTO “O ESPELHO” PARA RESPONDER À PRÓXIMA QUESTÃO
- Lembrou-me vestir a farda de alferes. Vesti-a, aprontei-me de todo; e, como estava defronte do espelho, levantei os olhos, e...não lhes digo nada; o vidro reproduziu então a figura integral; nenhuma linha de menos, nenhum contorno diverso; era eu mesmo, o alferes, que achava, enfim, a alma exterior. Essa alma ausente com a dona do sítio, dispersa e fugida com os escravos, ei-la recolhida no espelho. Imaginai um homem que, pouco a pouco, emerge de um letargo, abre os olhos sem ver, depois começa a ver, distingue as pessoas dos objetos, mas não conhece individualmente uns nem outros; enfim, sabe que este é Fulano, aquele é Sicrano; aqui está uma cadeira, ali um sofá. Tudo volta ao que era antes do sono. Assim foi comigo. Olhava para o espelho, ia de um lado para outro, recuava, gesticulava, sorria e o vidro exprimia tudo. Não era mais um autômato, era um ente animado. Daí em diante, fui outro. Cada dia, a uma certa hora, vestia-me de alferes, e sentava-me diante do espelho, lendo olhando, meditando; no fim de duas, três horas, despia-me outra vez. Com este regime pude atravessar mais seis dias de solidão sem os sentir...
Quando os outros voltaram a si, o narrador tinha descido as escadas.
2. Sobre o conto “O espelho” e considerando o estilo do autor, é possível afirmar que:
I. O conto dá destaque à reação psicológica da personagem.
II. A farda de Alferes representa a reinserção do indivíduo na sociedade.
III. O narrador de terceira pessoa é utilizado para dar maior impassibilidade do autor frente a obra.
IV. O espelho adquire um valor simbólico na construção da personalidade da personagem.
V. Supõe-se que a personagem plana estivesse só no ambiente descrito e por isso desenvolve uma visão negativa frente à sociedade.
GABARITO
1. E
2. I, II e IV

Valeu pelas questões, isso me ajudou a reforçar meus estudos do conto. Acertei as duas questões hehe! :D
ResponderExcluirNo trecho "...e acrescentava que os serafins e os querubins não controvertiam nada ,e, aliás , eram a perfeição espíritual e eterna ,"
ResponderExcluir2.Retire do texto os verbos e indique em que tempo verbal eles são conjugados.?